Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, por Yuval Noah Harari.

 “Estudamos história não para saber o futuro, mas para alargar os nossos horizontes, para compreender que a nossa situação presente não é natural nem inevitável e que, consequentemente, temos muito mais possibilidades diante de nós do que imaginamos.”

Sapiens foi publicado por Yuval Noah Harari, doutor em história pela Universidade de Oxford no ano de 2011. O livro conta com uma linguagem descomplicada e fala sobre a trajetória da humanidade e seus aspectos evolutivos até os dias de hoje.

O livro é dividido em quatro partes:

A revolução cognitiva

Fala sobre o contexto biológico da evolução do homo sapiens e da primeira colonização feita pelo caçador-coletor: a Austrália. O termo caçador-coletor refere-se à caça e a coleta como o primeiro modo de subsistência do homo sapiens. A extinção da fauna australiana foi uma das consequências dessa chegada.

“Se soubéssemos quantas espécies já erradicamos, poderíamos ser mais motivados a proteger as que ainda sobrevivem.”

A revolução agrícola

A revolução agrícola divide pensamentos: alguns dizem que levou ao progresso e prosperidade e outros dizem que levou à perdição devido à ganância e a alienação. Inicia-se no final desta parte um debate sobre a cultura.

“A cultura tende a argumentar que proíbe apenas o que não é natural. Mas de uma perspectiva biológica, não existe nada que não seja natural, tudo o que é possível é por definição também natural”

A unificação da humanidade

A discussão sobre a cultura é aprofundada e é introduzido um debate sobre religiões, comentando sobre a prática budista e sua história, monoteísmo, politeísmo, entre outras.

“Mitos e ficções habituaram as pessoas, praticamente desde o momento do nascimento a pensar de determinadas maneiras, a se comportar de acordo com certos padrões e a desejar certas coisas e a seguir certas regras. Dessa forma, criaram instintos artificiais que permitiram que milhões de estranhos cooperassem de maneira efetiva. Essa rede de instintos artificiais é chamada de cultura.”

“Cada cultura tem crenças, normas e valores característicos, mas estes estão em transformação constante. A cultura pode se transformar em resposta a mudanças em seu ambiente ou por meio da interação com culturas vizinhas, mas também passa por transições decorrentes da própria dinâmica interna.”

Sobre buda (Siddhartha Gautama):

“Buda passou o resto da vida explicando suas descobertas para outros, para que pudessem se livrar do sofrimento. Ele condensou seus ensinamentos em uma única lei: o sofrimento surge do desejo, a única forma de se livrar totalmente do sofrimento é se livrar totalmente do desejo e a única forma de se livrar do desejo é ensinar a mente a experimentar a realidade tal como é.”

A revolução científica

Essa última parte fala sobre a revolução industrial e suas consequências, capitalismo e consumismo.

“Então vieram a revolução científica e a ideia de progresso. A ideia de progresso se baseia na noção de que, se admitirmos nossa ignorância e investirmos recursos em pesquisa, as coisas podem melhorar.”

No final do livro, o autor discute sobre a felicidade e eu gostei muito desse capítulo em especial.

“A definição geralmente aceita de felicidade é bem estar subjetivo. A felicidade, de acordo com essa visão é algo que sinto dentro de mim, uma sensação de prazer imediato ou de contentamento no longo prazo com o modo como minha vida avança. Se é algo sentido do lado de dentro, como pode ser medido de fora?”

Aborda o budismo novamente, e sua relação com o sofrimento e a meditação:

“De acordo com o budismo, a raiz do sofrimento não é a sensação de dor nem de tristeza e nem mesmo da falta de sentido. Em vez disso, a raiz do sofrimento é essa incessante e inútil busca de sensações efêmeras, que nos leva a estar em um constante estado de tensão, inquietude e insatisfação.”

Recomendo esse livro para quem se interessa pelos assuntos tratados e para quem gostaria de conhecer também. O livro é muito bem feito e de fácil linguagem, fazendo com que a leitura seja fluida e prazerosa.

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