O Apanhador No Campo de Centeio: Uma análise da obra.
Clássico publicado em 1951, o livro representou um marco revolucionário para o público jovem.
O apanhador no campo de centeio foi um livro publicado em 1951 pelo autor J.D Salinger. Muitas polêmicas envolvem o livro, como por exemplo o fato do assassino de John Lennon ter declarado que se inspirou na obra para cometer o crime.
“O caso mais conhecido é o de Mark David Chapman, fã dos Beatles que matou John Lennon (1940–1980) após ter lido uma passagem que afirmava que o músico deveria ser assassinado. A interpretação de Chapman, que queria mudar seu nome para Holden Caulfield, personagem principal da obra, é de que a inocência de Lennon deveria ser preservada por meio de sua morte.” — Trecho retirado do site Tribuna PR.
Tive a oportunidade de realizar essa leitura junto com uma amiga e nesse post, gostaria de discutir minhas interpretações sobre a obra e pontos que achei relevantes.
O livro marca uma revolução para os adolescentes, pois até então, essa época não era reconhecida como um período conflituoso para os jovens e pouco se falava sobre esse assunto. Foi um marco na literatura pois retratou o universo próprio dos jovens, com suas ideias e conceitos. O livro inicialmente foi dirigido ao público adulto, porém foi com os adolescentes que ele fez sucesso, transformando o personagem principal em um símbolo de representatividade.
Holden Caulfield tem 17 anos e é um personagem complexo e sensível, um jovem que sente tudo intensamente. Ele foi expulso do colégio onde estudava e deve retornar para sua casa antes do esperado por seus pais. Mas, para evitar que eles descubram esse novo acontecimento em sua vida, Holden fica andando por aí e fazendo coisas esporádicas pela cidade de Nova Iorque.
“Ás vezes eu faço um monte de bobeira só pra não ficar de saco cheio.”
O livro todo se passa então pelas aventuras, questionamentos e exploração dos mais diversos sentimentos do personagem. A linguagem do livro é de fácil entendimento, apesar de se tratar de um livro que foi escrito em 1951. O autor explora, através de Holden, fatores que muitas vezes envolvem a adolescência: a confusão de sentimentos, a impulsividade, a despreocupação com o futuro e também se sentir deprimido.
“Está aí o problema. Quando você está se sentindo bem deprimido, você nem consegue pensar.”
Vale notar que é constante a descrição do sentimento de depressão pelo personagem ao longo da história.
Em diversas partes, Holden se frustra com situações que estão fora de seu alcance resolver, apesar de tentar ajudar de alguma forma. Em uma passagem pelo livro, Holden encontra duas freiras com quem conversa um pouco em um café.
“Depois que elas foram embora, eu comecei a ficar com pena de só ter dado dez pratas pra campanha delas. […] Desgraça de dinheiro. Sempre te acaba deixando triste pra diabo.”
O que ele sente durante esse trecho do livro é um sentimento de impotência por, apesar de ter ajudado as freiras, não ter dado mais dinheiro. Porém, ninguém pode salvar o mundo e muito menos resolver todos os problemas das pessoas.
Outro ponto importante é realizar a leitura em seu próprio tempo, se você, leitor, acaba lendo esse livro em uma época inadequada, a experiência e o impacto são totalmente alterados. Eu li esse livro já adulta, porém me identifiquei com Holden em diversos momentos quando parava para analisar sobre minha adolescência.
Com esse contexto em mente, eu recomendo muito o livro. Uma dica que posso dar é: preste atenção nas entrelinhas, elas têm muito a dizer. Para mim foi uma leitura excepcional e surpreendente, que inclusive me levou a favoritar a obra.
Gostou da análise? Espero que tenha te incentivado de alguma forma a ler esse livro maravilhoso. Gostaria de compartilhar suas próprias observações? Fique a vontade para relatá-las nos comentários!
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