Neurociência literária: Novas descobertas entre o cérebro e a leitura.

A neurociência literária busca uma melhor compreensão da cognição humana, diversos estudos estão sendo cada vez mais executados.

A neurociência literária é um campo relativamente novo e que tem obtido diversos estudos notáveis. Trago o resumo de um artigo de um estudo, cujo objetivo foi avaliar a atividade cerebral de voluntários enquanto liam Jane Austen.

A Dra. Natalie Phillips é neuropsicóloga e diretora de projetos do “Lady Davis Institute for Medical Research”. Ela é professora associada do Departamento de Psicologia da Concordia University, membro do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento Humano e do Centro de Pesquisa em Linguagem, Mente e Cérebro.

Ela decidiu realizar um estudo examinando a forma como a leitura afeta o cérebro. Os voluntários da pesquisa foram colocados em um scanner cerebral enquanto liam um livro de Jane Austen e recebiam ordens para folhear os livros, como fariam em uma livraria, por exemplo. Outras vezes era pedido para que se aprofundassem na leitura.

A máquina de ressonância mostrou uma imagem aproximada da atividade cerebral dos voluntários, e um programa de computador rastreou simultaneamente os movimentos dos olhos dos leitores na página. Os pesquisadores também monitoraram a respiração e a frequência cardíaca dos voluntários.

No final do experimento, a Dra. Phillips pediu a cada voluntário que escrevesse um pequeno texto baseado nas passagens que leu.

Os resultados foram inesperados: durante a avaliação na máquina de ressonância foi observado que o cérebro realizou ativações globais, não apenas nas regiões em que a equipe esperava maior atividade. Era esperado também, que não houvessem muitas diferenças nas atividades cerebrais entre a leitura casual e a leitura mais intensa. Porém, não foi o que aconteceu.

Houveram distinções nas atividades cerebrais entre a leitura mais rápida e a leitura mais atenta.

O que surpreendeu os pesquisadores foi o fato de quanto todo o cérebro — com suas ativações globais em diversas regiões diferentes — pareceu estar se transformando e mudando entre a leitura prazerosa e a leitura atenta.

A leitura atenta ativou áreas inesperadas: partes do cérebro que estão envolvidas no movimento e no toque, por exemplo. Era como se os leitores estivessem se colocando fisicamente dentro da história enquanto a analisavam.

Esse tipo de pesquisa se encaixa em um novo campo interdisciplinar: a neurociência literária.

Existem outros pesquisadores que estão começando a desenvolver mais estudos nesse campo, como por exemplo o estudo da poesia e ritmo no cérebro, o estudo de metáforas e diversos outros: tudo para conseguir compreender melhor e obter uma imagem mais completa da cognição humana.

Link para acessar o artigo na íntegra.

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