Escuridão Total Sem Estrelas, de Stephen King.

 Minhas opiniões e impressões sobre os quatro contos presentes no livro.


O livro Escuridão total sem estrelas publicado em 2010 contém uma coletânea com quatro contos escritos por Stephen King. O autor já é conhecido por escrever sobre pessoas comuns em situações extraordinárias e no caso desse livro, isso não é diferente.

“Tentei dar o meu melhor em Escuridão total sem estrelas para mostrar o que as pessoas poderiam fazer, e como poderiam se comportar, sob certas circustâncias terríveis”. — Stephen King, Escuridão total sem estrelas.

São histórias carregadas de tensão, que me deixaram muito aflita durante vários momentos e trouxeram bastante desconforto. Acredito que a conexão do título com o conteúdo do livro é essa: Ao ler, me senti no escuro, sem conforto algum.

Apesar disso, o livro consegue prender muito a atenção em seus contos, que apesar de curtos são excelentes. Resolvi então falar um pouco sobre cada um deles e comentar minhas impressões e experiências ao ler a obra.

1922

O primeiro conto se passa em 1922 e é narrado por Wilfred, um fazendeiro comum que mora com sua esposa Arlette e seu filho Henry. Tudo anda relativamente bem até que Wilfred é testado diante de uma situação complicada: ou ele abre mão da terra onde mora e trabalha, ou ele abre mão de sua esposa, a qual insiste na venda da propriedade.

Em uma noite com a ajuda de seu filho Henry, Wilfred executa o plano que muda totalmente o rumo de sua vida dali para frente.

“Eu me lembro de ter pensado: Esta noite nunca vai acabar. E estava certo. De todas as maneiras que importam, ela nunca terminou”.

O conto rendeu uma boa adaptação produzida pela Netflix que foi lançada no ano de 2017. Você pode conferir o trailer do filme aqui.

O conto é extremamente pesado e King não poupou nos detalhes mais sórdidos. Apesar disso, eu gostei muito da leitura, visto que já tenho costume de ler livros desse gênero. King explora muito bem o quão longe os personagens conseguem chegar para atingir os seus próprios desejos.

“No fim, somos todos pegos por nossas próprias armadilhas. Eu acredito nisso. No fim, somos todos pegos”.

A inspiração para esse conto partiu de um livro chamado Winconsin Death Trip (1973) onde há fotografias de uma cidade rural em Wisconsin que chamaram a atenção do autor principalmente pelo isolamento do local.


Gigante do volante

Tess é uma escritora de 30 e poucos anos, durante uma viagem de volta para a casa após dar uma palestra o pneu de seu carro fura. Um homem estranho e muito alto (como um gigante mesmo) lhe oferece ajuda, fazendo com que Tess sinta-se aliviada por alguns momentos. Porém, as coisas tomam um rumo diferente e a autora torna-se vítima de uma violência que lhe gera danos irreparáveis.

“Quando se trata da perversidade humana, parecia não haver limites”.

Para mim foi o conto mais pesado do livro por dois motivos: pelo ocorrido em si e pelos sentimentos despertados em Tess, como a culpa e a vergonha.

Diferentemente de 1922, eu não adorei ler esse conto e se eu pudesse deletar alguma história do livro, seria essa.


Extensão justa

Uma oportunidade interessante aparece para Dave Streeter, um homem com câncer em estágio avançado. Além disso, Dave não está contente com outros aspectos de sua vida no momento. Ele sente inveja de seu melhor amigo de infância, pelo fato dele ter alcançado coisas que Dave não conseguiu.

Um dia, Dave passa por uma rodovia e vê um homem que aparenta ser um vendedor. Ao se aproximar, Dave percebe que o que aquele homem estranho está vendendo são "extensões" dos mais diversos tipos. Ao conversar com o vendedor, uma extensão nada convencional lhe é oferecida e Dave a aceita. Porém, o preço a ser pago é bem alto.

Esse é o conto mais curto do livro e eu achei a história interesante, porém um pouco previsível. O autor explora, neste conto, o egoísmo e a inveja presentes no personagem e testa o caráter do ser humano quando existe a opção de prejudicar outra pessoa para seu próprio benefício.

A história se passa em Derry, cidade fictícia criada pelo autor que é famosa por ser o lar de Pennywise e IT, a coisa.


Um bom casamento

Darcy é uma boa esposa, uma boa mãe e vive um bom casamento com seu marido Bob há muitos anos. Uma noite, enquanto seu marido está viajando a trabalho, Darcy descobre algo que muda totalmente o futuro da sua relação.

“Olhou para dentro dele, do modo como você olha para as pessoas que conhece bem. Só que era preciso ter cuidado ao fazer isso, porque nem sempre o que se via era verdade”.

A descoberta desse segredo faz com que Darcy questione toda sua relação com Bob e faz com que ela tome decisões difíceis para proteger sua família das repercussões daquilo.

O quão bem você conhece a pessoa com quem você compartilha sua vida? Esse é o segundo conto que mais gostei do livro, principalmente pela temática apresentada: Uma relação a dois, onde os personagens convivem por mais de 20 anos juntos e ainda assim, são completos estranhos.

A inspiração para este conto partiu da história real do assassino Dennis Rader, o BTK, um serial killer de mulheres por um período de 16 anos. King disse:

“Também escrevi para explorar a ideia de que é impossível conhecer alguém completamente, até mesmo aqueles que mais amamos.” — Stephen King, Escuridão total sem estrelas.

A adaptação do conto foi lançada no ano de 2014 e o filme possui uma nota de 5,3 no site IMDB.

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