Distopias: Falando um pouco sobre o gênero e indicações de livros.


O que é distopia?

A distopia é um termo utilizado para caracterizar um lugar ou uma época, por exemplo, nas quais as pessoas se encontram em condições de extrema opressão ou privação. A palavra é de origem grega e tem como significado "lugar ruim".

As distopias são geralmente caracterizadas pelos regimes totalitários ou autoritários presentes em uma sociedade e que provocam o sofrimento humano, consequentemente levando à desumanização.

“O mundo distópico é um lugar de baixa qualidade de vida, marcado por autoritarismo, opressão e desesperança, pela ausência de perspectiva de mudança. Tem um elemento de resignação, com poucas pessoas se rebelando, porque uma das coisas fundamentais da sociedade distópica é que ela se vende como a única realidade possível. Ela aniquila o sonho. O habitante de um mundo distópico não consegue imaginar um mundo que não seja aquele” — UOL


A distopia na literatura

O uso da distopia na literatura frequentemente vêm como uma forma de sátira, onde limites são extrapolados ao máximo dentro de um cenário social.

Essas histórias também podem se passar no futuro, em um contexto no qual geralmente o Estado dissemina a violência e controla a população a fim de perpetuar a desigualdade.

O uso da tecnologia é frequentemente empregado nas obras que retratam um mundo distópico, pelo fato da mesma possibilitar ampla vigilância e monitoramento de um poder maior (o governo) sobre as massas (a população).


Indicações de livros que retratam a distopia:

  • 1984, George Orwell.

1984 teve sua primeira edição em 1949 e retrata uma sociedade vigiada pelo Big Brother (aquele que tudo vê) dentro de um regime totalitário. Winston trabalha no Ministério da Verdade, onde informações são alteradas a fim de provar que o governo está sempre correto. Porém, conforme o tempo passa, Winston revolta-se e parte em busca de liberdade.

“Do lugar onde Winston estava mal dava para ler, escarvados na parede branca em letras elegantes, os três slogans do Partido: Guerra é paz, Liberdade é escravidão, Ignorância é força” — 1984, George Orwell.

Nesta obra, George Orwell retrata uma sociedade governada por uma oligarquia que impõe o coletivismo, onde tudo é igualmente distribuído por cada membro da coletividade. As pessoas que contestam esse regime são reprimidas e eliminadas.

O Partido é o líder máximo e absoluto e governa logo após o fim de uma guerra que ocorreu a nível global. O maior representante do Partido é o Big Brother: Ele está em todos os lugares, tanto em locais públicos como dentro das casas das pessoas, monitorando e gravando todos os seus movimentos. O Partido impede todo e qualquer pensamento crítico.

O livro é surpreendentemente bom, daqueles que não dá vontade de largar a fim de descobrir logo o que vai acontecer. Se você tem vontade em se aventurar no mundo distópico, 1984 seria minha indicação de ouro para leitura.


  • Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

Talvez o livro mais conhecido do autor, Ensaio sobre a cegueira é um livro extremamente angustiante. Uma epidemia de cegueira branca atinge uma cidade e as pessoas afetadas são colocadas em quarentena pelo governo. Os componentes distópicos são claramente evidenciados no caos o qual a história é situada.

“Talvez apenas em um mundo de cegos as coisas serão o que realmente são.” — Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.

Com recursos limitados, essas pessoas são testadas, e vemos durante o livro um exemplo do quão longe o ser humano pode chegar para conseguir o que quer.

Um ponto interessante e que merece destaque é o fato dessa cegueira experenciada não ser apenas física como também moral, visto que os personagens tentam recuperar a visão e também características específicas que fazem com que tornem-se humanos.

Nas palavras de Saramago:

“Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.”

Se você tem interesse em saber mais sobre a obra, existe uma resenha minha mais detalhada sobre o livro e ela está disponível aqui.


  • O senhor das moscas, William Golding.

A história se passa em uma ilha, onde apenas meninos pré-adolescentes habitam, de forma isolada. Isso ocorre como consequência da queda de um avião. Com a necessidade de um líder, os sobreviventes tentam organizar-se para que seja possível viver de forma civilizada.

Porém, não demora muito para que os conflitos comecem e a luta por liderança entre os grupos divididos toma rumos perversos.

“Talvez haja uma besta … talvez sejamos apenas nós.” — O senhor das moscas, William Golding.

O autor estrutura a história em volta do fato de que é impossível evitar a violência, pois ela é encontrada em todo ser humano. O fato dele ter escolhido apenas personagens em idade pré-adolescente mostra claramente isso, que não conseguimos evitar o mal, ele é algo primitivo.

É extremamente interessante acompanhar ao longo da história esse grupo de meninos sucumbirem ao seu lado mais selvagem e violento em busca do poder.

Sem dúvidas, O senhor das moscas é um livro profundo e assustador em diversos níveis.

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